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Chaves Património

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O Natal Flaviense

As tradições do Natal em Chaves e na Região

O Natal da região flaviense tem o seu ponto forte na noite de consoada. A maioria das casas reserva esta idílica noite para o convívio íntimo com a família que se reúne à volta da farta mesa ou se recosta nos sofás ou escanos de madeira, junto à lareira. Aqui trocam-se conversas e sorrisos ao som do crepitar da lenha e das brincadeiras dos mais novos.

A noite de consoada

Atualmente, a noite de consoada celebrada na região flaviense não difere muito da dos nossos pais ou avós, à exceção do grande número de presentes que invadem os nossos lares e outras tantas modernices. Por exemplo, a árvore de natal, antigamente, era enfeitada apenas com adereços decorativos alusivos ao cristianismo: as velas, as estrelas, ramos de azevinho e pequenos chocolates, para os mais novos.

O presépio

De grande simbolismo e importância nas casas flavienses é o uso do presépio: as imagens do Menino, da Virgem e de S. José são, ainda hoje, obrigatórias.

Na decoração pode usar-se musgo ou palha (para deitar o Menino), bem como outras imagens alusivas à Natividade.

Em determinadas aldeias do concelho de Chaves era usual fazer-se um presépio no adro da igreja, onde todos podiam admirar o cenário encantador do nascimento do Messias. Também era costume de algumas aldeias, e ainda hoje se realizam, as fogueiras no centro do povoado, trazendo ao convívio os habitantes da aldeia depois da ceia de consoada.

A gastronomia

A gastronomia flaviense típica da noite de consoada é rica e variada, estando recheada de tradicionais iguarias como as famosas rabanadas, o arroz-doce e a aletria, as filhós de jerimú e as filhós lêvedas, o leite-creme e os sonhos. Não faltando os bolos e bolinhos secos, sortidos, bem como o afamado bolo-rei e as frutas secas: os figos, as nozes, as passas e os pinhões.

A ceia e o serão

Quanto à ceia propriamente dita, as mesas flavienses são invadidas pelo delicioso polvo cozido ou frito, o bacalhau, as batatas, a couve penca e o azeite. De salientar os dourados bolinhos de bacalhau, presença obrigatória nas nossas mesas. Tudo isto é regado com os vinhos da região.

Depois da ceia era habitual jogar às cartas ou então ao típico jogo do rapa, com pinhões. Os mais novos dedicavam-se a pôr as meias ou o sapatinho na chaminé, à espera de serem premiados com uma prendinha pelo Menino Jesus.

A noite terminava com a família à lareira, a ver arder o cepo de Natal e a conversar, enquanto se bebia vinho fino e jeropiga. À meia-noite, as pessoas dirigiam-se para a igreja mais próxima a fim de assistirem à missa do galo, e celebrarem o nascimento do Menino Jesus.

O dia de Natal - 25 de dezembro

O dia 25 de Dezembro, era e é, passado também em convívio familiar, sendo usual comer-se ao almoço carne assada no forno, que pode ser cordeiro, cabrito, leitão ou peru. As sobremesas são as mesmas da noite anterior.

A quadra festiva termina com o cantar das janeiras no início do ano e com a festa de Reis no dia seis de Janeiro.