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Chaves Património

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Igreja Paroquial de Soutelinho da Raia

Património de Interesse Público
Dsc01879 1 980 2500
Datação: séc. XVII / XVIII

IIP - Imóvel de Interesse Público, Portaria n.º 443/2006, DR, II Série, n.º 49, de 9-03-2006

Edifício consagrado a Santa. Bárbara erguido entre os séculos XVII e XVIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na gramática construtiva e decorativa barroca. O alçado principal é encimado por nicho com imagem granítica e torre sineira de dupla ventana. No interior deste robusto templo de pequenas dimensões, de nave única, sobressaem os fragmentos dos frescos que cobririam as paredes (a relembrar a primitiva feição renascentista da igreja), assim como a talha policroma dos altares mor e laterais, como policromado é o seu teto de madeira.

Constituindo um dos seis concelhos da região do 'Alto Tâmega', Chaves testemunha origens muito remotas, conquanto predominem os correspondentes à Idade do Ferro (a exemplo dos povoados fortificados de altura) e do período romano, ao qual remontam diversas tipos construtivos, nomeadamente no que diz respeito ao sistema viário, numa evidência da da localização estratégica da região e da própria fertilidade dos solos, riqueza termal e abundância mineral dos subsolos.

Antiga e imponente Aqua Flaviae romana, pontuada de obras arquitectónicas características de uma urbe da sua importância, Chaves acumulou valências ao longo dos tempos, embora a sua imponência declinasse a partir do século III, mormente com as denominadas "invasões bárbaras", que ditaram a destruição quase total da cidade romana, agravada durante a presença moura, com as intermináveis incursões bélicas e a consequente fuga populacional para as montanhas, até que, já no século XI, D. Afonso III (848-912), o 'Magno', de Castela, a reconquistou, ordenando a sua reconstrução e repovoamento. Chaves, porém, integraria 'Portugal' apenas em 1160.

Este quadro de permanente instabilidade era, contudo, compreensível perante a sua condição fronteiriça, que justificou o levantamento, por ordem de D. Dinis (1261-1325), do extenso sistema defensivo ainda hoje parcialmente visível na cidade, fortalecido no reinado de D. Afonso III (1210-1279), com a doação do principal instrumento de autonomia concelhia - ao mesmo tempo que de incentivo ao repovoamento -, ou seja, o foral, confirmado no reinado de D. Afonso IV (1291-1357) e renovado por D. Manuel I (1469-1521), em 1514. Uma pacificação que permitiu conduzir um crescente número de campanhas de obras, do qual resultou a construção de múltiplos edifícios que renovaram a cidade e lhe reconcederam a voltaram a dotar a monumentalidade há muito perdida e/ou esquecida, ainda que as contendas militares acabassem por devastar pontualmente as suas terras até ao século XIX.
De entre as inúmeras freguesias que compõem, na actualidade, o concelho de Chaves, faz parte Soutelinho da Raia, que, como o próprio nome indica, se situa na zona fronteiriça, entre Portugal e Espanha, caracterizando-se pelos bosques densos e cerrados dos seus limites, integrando um dos caminhos portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela.

Povoação de típicas e antigas construções graníticas, Soutelinho da Raia dispõe de alguns monumentos interessantes do ponto de vista, quer histórico, quer artístico. Disto é bem um exemplo a igreja paroquial, edifício consagrado a S.ta Bárbara e erguido entre os séculos XVII e XVIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na gramática construtitva e decorativa barroca.

O alçado principal é encimado por nicho com imagem granítica e torre sineira de dupla ventana. No interior, deste robusto templo de pequenas dimensões, de nave única, sobressaem os fragmentos dos frescos que cobririam as paredes (a relembrar a primitiva feição renascentista da igreja), assim como a talha policroma dos altares mor e laterais, como policromado é o seu tecto de madeira.

Associada à classificação da igreja, encontra-se a fonte medieval de cobertura de duas águas que se ergue nas suas proximidades, similar a outras denominadas "fontes de chafurdo" (ou "de mergulho") existentes nesta região do país.

Rua do Rêgo 2
5400-785 Soutelinho da Raia